O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá enfrentar até 46 anos de prisão, caso seja condenado na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou suas alegações finais, com 517 páginas, sustentando a acusação por cinco crimes:
“Bolsonaro foi o principal articulador, beneficiário e executor dos atos mais graves que ameaçaram o Estado democrático”, apontou a PGR.
Segundo o professor de Direito Penal Davi Tangerino (UERJ), a pena poderá ser majorada caso sejam aplicados agravantes — como o fato de Bolsonaro ser considerado líder do grupo.
Mesmo que a pena máxima seja de 46 anos, a legislação brasileira prevê o cumprimento de até 40 anos de prisão em regime fechado, conforme o pacote anticrime sancionado durante o próprio governo Bolsonaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) será responsável por definir a dosimetria da pena e poderá considerar a absolvição parcial, excluindo algum dos crimes apontados na denúncia.
Nos bastidores de Brasília, especula-se que Bolsonaro poderá cumprir eventual pena em prisão domiciliar, considerando sua idade (70 anos) e problemas de saúde — como a esofagite aguda e outras complicações decorrentes do atentado de 2018.
A PGR relata que o ex-presidente utilizou o cargo para atacar as instituições e o processo eleitoral, incluindo a criação da chamada "Abin paralela", com fins de espionagem política.
Além de Bolsonaro, também foram denunciados:
Agora, abre-se o prazo de 15 dias para alegações finais das defesas, seguindo a ordem iniciada pela defesa de Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada. O prazo é contínuo, inclusive durante o recesso do STF, que termina em 31 de julho.
Só após o encerramento dos julgamentos e análise dos recursos é que uma eventual condenação será confirmada — com possível início do cumprimento da pena.